Jalles teve prejuízo de R$ 74,1 milhões no primeiro trimestre de 2026/27
17 de agosto de 2026
Usina da Jalles Machado em Goianésia (GO) — Foto: Divulgação/Jalles Machado
Com informações Globo Rural
A Jalles Machado encerrou o primeiro trimestre da safra 2026/27 com um prejuízo líquido de R$ 74,1 milhões, cinco vezes maior do que o prejuízo registrado no mesmo período do ciclo anterior. O resultado refletiu os baixos preços de açúcar e etanol e a estratégia de reduzir as vendas do biocombustível para esperar um momento de preços mais favoráveis.
A receita líquida recuou 32,6%, para R$ 340,4 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recuou 2,8%, para 269,4 milhões.
Embora a companhia tenha aumentado o volume de cana-de-açúcar processado no trimestre, o volume de produtos vendidos recuou. Na moagem, a quantidade de matéria-prima processada subiu 10,1%, para 3,129 milhões de toneladas. Os canaviais da companhia passam pela primeira safra de recuperação de produtividade após a forte quebra que houve na última safra. Esse ritmo deve permitir que a companhia reduza “sua exposição a eventuais adversidades climáticas, como o fenômeno El Niño, que historicamente pode limitar o número de dias efetivos de operação no segundo semestre”, afirmou a empresa em seu relatório de resultados.
Segundo Otávio Lage de Siqueira Filho, diretor-presidente da Jalles, os resultados operacionais do início da safra são reflexo da “recuperação da produtividade agrícola, da disciplina operacional e dos investimentos realizados nos últimos anos”.
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Vendas em queda
Embora o aumento da moagem tenha resultado em maior volume de produção de etanol, as vendas foram 5,9% menores na comparação anual, somando 72,3 milhões de litros. Em relatório, a Jalles afirmou que “prioriza a formação de estoques para comercialização durante a entressafra, período historicamente marcado por condições de mercado mais favoráveis”.
O volume de vendas de açúcar, por sua vez, caiu 30,6%, para 63,2 mil toneladas, refletindo a menor produção. A redução também refletiu uma forte base de comparação como 1º trimestre de 2025/26, quando a Jalles realizou um embarque expressivo de açúcar orgânico.
A companhia ressaltou que teve um resultado positivo de R$ 112,2 milhões com a liquidação de operações de hedge de açúcar e câmbio no trimestre, para viabilizar a realização de preços acima dos praticados no mercado internacional.
“Em um ambiente de preços mais pressionados, mantivemos disciplina na execução da nossa estratégia comercial, ampliando os estoques de etanol para capturar melhores oportunidades de mercado ao longo da safra. Ao mesmo tempo, nossa política de hedge voltou a demonstrar sua relevância ao assegurar preços significativamente superiores aos atuais para parte relevante da produção de açúcar“, afirmou Rodrigo Penna de Siqueira, diretor financeiro da Jalles, em comunicado.
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Custos baixos e dívida sob controle
O aumento da moagem permitiu maior diluição dos custos fixos, e uma redução do custo do produto vendido (CPV) caixa de 10,8%, a R$ 463,7 milhões. Em paralelo, a companhia reduziu suas investimentos após ter concluído seu ciclo de expansão, marcado na safra passada pelo avanço da área plantada. Com isso, o capex total, cinluindo tratos, do trimestre teve queda de 9,3%, para R$ 235,8 milhões.
A Jalles encerrou o trimestre com uma dívida líquida de R$ 1,891 bilhão, aumento de 2,3% na comparação anual e que representou 1,6 vez o Ebitda em 12 meses (em relação a 1,3 vez um ano antes). O caixa ao fim do trimestre somava R$ 1,64 bilhão, o que cobria todos os vencimentos até a safra 2029/30.