Jalles vai ampliar área de irrigação na Usina Santa Vitória e enriquecer vinhaça

Com informações Globo Rural
A Jalles Machado, que sempre apresenta alguns dos melhores índices de produtividade de cana-de-açúcar do Centro-Sul pela sua aposta na irrigação, iniciou a safra 2026/27 com uma meta clara: recuperar a produtividade perdida em 2025/26. Depois de penar com problemas climáticos e agronômicos, a companhia aposta agora em melhores práticas de manejo e num clima mais favorável.
A companhia, que tem duas usinas em Goianésia (GO) e uma em Santa Vitória, no Triângulo Mineiro, espera que, na média, a produtividade de seus canaviais fique em 80,4 toneladas por hectare nesta safra. Caso isso se confirme, será um aumento de 8% em relação à safra passada, mas aquém de resultados anteriores — o recorde da companhia foi de 96 toneladas por hectares na safra 2019/20.
A companhia tem usinas nos dois Estados mais afetados pelo clima seco do início do ano passado, que afetou o crescimento da cana na temporada. A seca, o calor e os incêndios de 2024 ainda reverberaram sobre o desempenho das lavouras em 2025/26.
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Segundo Rodrigo Penna Siqueira, diretor financeiro da Jalles, se a companhia apenas voltasse aos níveis “normais” de produtividade, já seria possível processar cerca de 8,5 milhões de toneladas. Porém, com a produtividade projetada, a moagem deve ficar em 7,8 milhões de toneladas. Em seu plano estratégico, a companhia tem a meta de alcançar uma moagem de 9 milhões de toneladas.
“Parte [da recuperação] depende do clima. Parte de melhorar manejo, irrigação”, afirmou o executivo, em teleconferência com analistas ontem sobre os resultados da safra 2025/26.
Entre as iniciativas de manejo, ele listou investimentos para ampliar a irrigação nas áreas que atendem a Usina Santa Vitória, sendo 4,5 mil hectares novos com irrigação por salvamento e ao menos 700 hectares de irrigação por pivô. “E, nos 1.000 hectares que já tinha [de irrigação na Santa Vitória], estamos trabalhando melhor”, disse.
Outra iniciativa foi a nova fábrica de enriquecimento de vinhaça (resíduo da produção de etanol), reaproveitado como adubo nas lavouras. “Pegamos a vinhaça e enriquecemos para deixar a nutrição mais completa, sem precisar de outras aplicações”, explicou. Segundo ele, a iniciativa homogeneiza a adubação e reduz custo.
Parte da recuperação da produtividade também deverá vir do clima, que até o momento foi favorável aos canaviais. A perspectiva ainda não leva em consideração os impactos do El Niño.

