Baliza no exame de obtenção da CNH deixará de ser obrigatória em MG? Detran responde

A tradicional prova de baliza para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deixou de ser obrigatória nos estados do Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e São Paulo. No entanto, a medida, que entrou em vigor nessa segunda-feira (26/1) nessas unidades da federação, não será adotada em Minas Gerais neste momento, conforme informou o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG).

Segundo o órgão estadual, estão em andamento os estudos técnicos necessários para a implementação de novas regras. O Detran-MG aguarda ainda a publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, que será divulgado pelo Órgão Executivo de Trânsito da União (Senatran), documento que irá nortear a adoção das mudanças.

O departamento informou que algumas alterações deverão ser implementadas nos próximos dias, como a mudança no critério de pontuação do exame prático, que passará a reprovar o candidato apenas quando houver ultrapassagem de 10 pontos.

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Especialista discorda da retirada da baliza

O diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra, discorda da retirada da baliza do exame para obtenção da CNH. Segundo ele, a mudança não representa a eliminação de um detalhe técnico, mas a exclusão de um fundamento essencial do processo de aprendizagem.

“Quando você retira da formação as habilidades do dia a dia, você não forma motorista. Você forma um usuário de veículo sem repertório real. Direção segura é repertório, treino supervisionado e repetição até virar hábito. Quanto mais o candidato dirige, com supervisão e cobrança técnica, mais ele entende a complexidade do trânsito e aprende a prever riscos, corrigir erros e reagir a imprevistos”, afirmou Coimbra.

Para o especialista, o fim da exigência da baliza representa a produção institucional de um risco coletivo evitável.

“Quando o dano é previsível, quando o risco coletivo é conhecido, quando mortes são esperadas como ‘custo do sistema’, isso deixa de ser acidente. Isso vira política pública de morte. Nossa realidade é a de um país em que a maioria dos veículos é manual, em que se estaciona na rua, em vagas apertadas, em ladeiras e em condições adversas. Tirar a baliza, a manobra de ré e o controle de embreagem é retirar o básico do cotidiano”, declarou.

Coimbra destacou ainda as particularidades do trânsito brasileiro e mineiro. “Vivemos em um país de renda difícil e frota majoritariamente manual. É um país de morros, aclives, declives e congestionamentos — e, em Minas Gerais, isso é rotina. Como alguém vai dirigir com segurança sem ter sido treinado e cobrado em controle de embreagem, saída em rampa, retomada e ponto de torque? Pior: treina no automático, sai habilitado e não existe impedimento prático para conduzir um carro manual depois, sem supervisão. Essa política pública cria um vazio de competência”, concluiu.

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